Arquivo de novembro 2007
Tradutor nativo
22/11/07
Quando um cliente exige que seu documento seja traduzido por um nativo, deve-se recorrer à FUNAI? Pergunta intrigante: o que é um tradutor nativo? Se não for índio, deve ser natural de algum lugar. De onde?
Uma das acepções de “nativo” é falante da língua pátria. Se o cliente informa que a língua de chegada é o inglês, fica mais fácil entender que ele exige que seu documento seja traduzido do português para o inglês, por tradutor cuja língua pátria seja o inglês.
Pergunta polêmica: não é vital e implícito que um tradutor leia e escreva (não necessariamente fale) sua língua pátria tão bem quanto a língua para ou da qual se traduz?
Entender um idioma e escrever bem em outro não é traduzir, mas deduzir.
A título de exemplo, temos um trecho traduzido do português ao inglês por um “nativo”. Dizia a tradução:
“Our business unit is in the first place, and the matrix is in the second.”
Afora o incompreensível “matrix” nesse contexto, não havia problemas, até que vimos o original em português:
“Segundo a matriz, a nossa unidade de negócios está em primeiro lugar.”
Basta ser “nativo”? O “tradutor nativo” não deveria saber que “segundo” também pode ser “de acordo com”? Será que o mesmo não pode acontecer com um tradutor brasileiro traduzindo do inglês para o português, por mais proficiente que seja em português?
Este artigo não pretende julgar nenhum “nativo”, mesmo por que todos somos. O foco é debater o que o tradutor deve ou não saber e fazer.
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Acerte na abreviação de horas
19/11/07
Desnecessário dizer que, em inglês, as horas são separadas dos minutos pelo “colon” (dois pontos), quando usado o horário de 24 horas – sistema atualmente mais utilizado no mundo. Assim, temos: “Opening hours are from 7:00 to 17:00”.
Quando se usa o horário de 12 horas (principalmente nos E.U.A.), adiciona-se a abreviação “a.m.” ou “p.m.”, do latim ante meridien e post meridien (antes e depois do meio dia, respectivamente). Assim, temos: “Opening hours are from 7:00 a.m. to 5:00 p.m.”.
Vale lembrar que embora essas abreviações sejam comumente grafadas em maiúsculas e sem pontos, ou seja, “AM” e “PM”, o correto é grafá-las em minúsculas, com pontos.
No inglês falado, principalmente entre militares e aviadores, há quem ouça “seventeen hundred hours”, significando “17:00” ou “5:00 p.m.”
Ao traduzir horas para o português, muitos insistentemente “emprestam” os dois pontos utilizados no inglês e, com isso, perpetuam um erro indiscutível e, para piorar, as abreviam muito incorretamente, utilizando “H”, “HS”, “h”, “hs” “hrs” etc.
Por eliminação, vamos partir do princípio de que, embora o uso seja corrente, o sistema ortográfico brasileiro não permite o plural (a letra “s”) para nenhuma abreviatura. Assim sobram o “h”, o “h.”, o “hr” e o “hr.”. Mais uma vez, tudo errado!
O Brasil utiliza o Sistema Internacional de Unidades, do francês “Le Système international d’unités”, que prevê para abreaviação de horas, simplesmente “h”. Sem “s”, sem “rs” e sem “ponto”. Assim, temos:
“Opening hours are from 7:00 a.m. to 5:00 p.m.”
O expediente é das 7h00 às 17h00
É facultativo o uso de “min” para abreviar os minutos (17h30min).
Infelizmente, o emprego dos dois pontos se propagou de tal maneira que, às vezes, somos forçados a mantê-lo, mas não obrigados.
Em nome da correta tradução para a língua portuguesa, jogue um dos dois pontos no lixo e use o outro para dar um ponto final na bandalheira. Use “h”, sem ponto, e ponto.
Clique aqui para mais informações em português sobre o Sistema Internacional de Unidades.
Click here for more information in English about the International System of Units.
