Tradutor nativo
Quando um cliente exige que seu documento seja traduzido por um nativo, deve-se recorrer à FUNAI? Pergunta intrigante: o que é um tradutor nativo? Se não for índio, deve ser natural de algum lugar. De onde?
Uma das acepções de “nativo” é falante da língua pátria. Se o cliente informa que a língua de chegada é o inglês, fica mais fácil entender que ele exige que seu documento seja traduzido do português para o inglês, por tradutor cuja língua pátria seja o inglês.
Pergunta polêmica: não é vital e implícito que um tradutor leia e escreva (não necessariamente fale) sua língua pátria tão bem quanto a língua para ou da qual se traduz?
Entender um idioma e escrever bem em outro não é traduzir, mas deduzir.
A título de exemplo, temos um trecho traduzido do português ao inglês por um “nativo”. Dizia a tradução:
“Our business unit is in the first place, and the matrix is in the second.”
Afora o incompreensível “matrix” nesse contexto, não havia problemas, até que vimos o original em português:
“Segundo a matriz, a nossa unidade de negócios está em primeiro lugar.”
Basta ser “nativo”? O “tradutor nativo” não deveria saber que “segundo” também pode ser “de acordo com”? Será que o mesmo não pode acontecer com um tradutor brasileiro traduzindo do inglês para o português, por mais proficiente que seja em português?
Este artigo não pretende julgar nenhum “nativo”, mesmo por que todos somos. O foco é debater o que o tradutor deve ou não saber e fazer.
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| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por Equipe terminologia em 22/11/2007 às 04:36, e está arquivado em Tradução. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |

há 11 meses atrás
Concordo que não basta chamar um “tradutor nativo” para que a tradução saia perfeita. Mas no exemplo dado no artigo acima é óbvio que o “tradutor nativo” do inglês não tem formação de tradutor e/ou não é bom tradutor. Então, continua valendo o chamado “princípio do tradutor nativo”, aplicado pelas agências de tradução pelo mundo afora como requisito mínimo de qualidade em traduções, uma vez que se está falando não só de “nativo” como também o “tradutor”.
Dessa forma, o problema aqui é muito mais amplo, porque, como se sabe, qualquer um pode ser tradutor, sem precisar de diploma, bastando declarar que “faz traduções” ou “trabalha com tradução”. Basta o menino passar um ano na High School americana ou a menina passar seis meses fazendo au pair na França para voltar ao Brasil se dizendo tradutor, que ninguém vai preso por isso (tradutor é profissão não-regulamentada no Brasil). Imagino que essa fronteira tênue entre profissionais e não-profissionais no mundo da tradução é que leva algumas pessoas menos críticas a se concentrarem no “nativo” e esquecerem o “tradutor”. Mas todo tradutor que já se aventurou a traduzir para um idioma que não seja o seu idioma materno sabe muito bem os limites de sua competência e seria não só ingenuidade como também má-fé ignorar esses limites perante o cliente.
Por fim, é bom lembrar que o princípio do tradutor nativo é um requisito m-í-n-i-m-o de qualidade e que, na prática, quem o aplica com seriedade (sobretudo as agências de tradução sensíveis à qualidade e que, olha só a coincidência, oferecem melhor remuneração aos tradutores de qualidade) costuma exigir outros requisitos: formação, especialização, experiência na área, referências, teste de tradução etc. Do jeito que está o mercado de tradução internacional atualmente, tradutores que traduzem para um idioma que não seja seu idioma materno só fazem essas traduções para clientes que ou não têm consciência dos limites de competência de tradutores “não-nativos” e não estão nem aí, ou conhecem esses limites e preferem ignorá-los (mas costumam pagar muito pouco). Cabe ao tradutor decidir para qual tipo de cliente quer trabalhar para construir seu futuro profissional.
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há 4 anos atrás
Com certeza para a tradução, não é necessária a fluência verbal no idioma, mas sim sua compreensão, tanto de lá para cá como de cá para lá. Claro está que muitas vezes o “não nativo” não sabe usar o phrasal verb adequado que um nativo saberia, mas isso não invalida a compreensão do trabalho. Língua é só uma ferramenta. Nada mais. Existe inglês nos Estados Unidos como na Bielo-Rússia. Apesar de diferentes, devem só servir como ferramentas de compreensão.
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há 4 anos atrás
Couldn’t agree with you more, Verlow, when it comes to people who just for being native speakers think they may venture into translating into English.
I think, however, that a translator MUST master both languages. Obvioulsy, a native speaker of a given language will be more fluent and then translater faster, but that does not prevent a Brazilian person who masters English from rendering a same/superior quality work.
Loved this site!!!!
Rochelle Gardener
Port/Engl/Port Translator
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há 4 anos atrás
Being a native speaker of the language you translate into helps a lot, especially if you are quite familiar with the subject. Nonetheless, it is your training as a translator that makes the difference. One may be a native speaker but lack the language education to be a translator.
I remember one time, a student of mine refusing to learn the present perfect because his american teacher told him he could use the past tense instead. For Christ’s sake, the guy was American but he had been in the construction business before coming to Brazil and discovered that he could earn a living by teaching. What kind of English would he teach after a certain level? The same applies to translation. You want a native of the language? Fine! But that doesn’t guarantee he will return you a good translation! The reason why clients make such requests is because of the bad experiences they have had with many translators who feel they can venture into versions. It is quite difficult to master two languages well enough to translate into both with excellence. So why not stick to one’s specialization instead? Because you speak well doesn’t mean you write well.
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há 4 anos atrás
A enquete foi bem fácil de responder dessa vez… Vide os resultados.
Não só pelo exemplo mostrado no texto acima da tradução mal feita por um nativo, mas o que diferencia um bom de um mau tradutor é a curiosidade. Quando o tradutor procura entender o que ele traduz, ser nativo torna-se apenas um detalhe. Abraços!
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