Quando um cliente exige que seu documento seja traduzido por um nativo, deve-se recorrer à FUNAI? Pergunta intrigante: o que é um tradutor nativo? Se não for índio, deve ser natural de algum lugar. De onde?

Uma das acepções de “nativo” é falante da língua pátria. Se o cliente informa que a língua de chegada é o inglês, fica mais fácil entender que ele exige que seu documento seja traduzido do português para o inglês, por tradutor cuja língua pátria seja o inglês.

Pergunta polêmica: não é vital e implícito que um tradutor leia e escreva (não necessariamente fale) sua língua pátria tão bem quanto a língua para ou da qual se traduz?

Entender um idioma e escrever bem em outro não é traduzir, mas deduzir.

A título de exemplo, temos um trecho traduzido do português ao inglês por um “nativo”. Dizia a tradução:

“Our business unit is in the first place, and the matrix is in the second.”

Afora o incompreensível “matrix” nesse contexto, não havia problemas, até que vimos o original em português:

“Segundo a matriz, a nossa unidade de negócios está em primeiro lugar.”

Basta ser “nativo”? O “tradutor nativo” não deveria saber que “segundo” também pode ser “de acordo com”? Será que o mesmo não pode acontecer com um tradutor brasileiro traduzindo do inglês para o português, por mais proficiente que seja em português?

Este artigo não pretende julgar nenhum “nativo”, mesmo por que todos somos. O foco é debater o que o tradutor deve ou não saber e fazer.

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