Ao contrário do que se pensa, a tradução é uma ocupação profissional, um ofício. Segundo o SINTRA, a profissão foi reconhecida em outubro de 1988. Traduzir é uma profissão, não um biscate, como infelizmente é tida por usuários do serviço e pára-quedistas que se aventuram a prestar serviços sem a formação ou qualificação adequada.

Os cursos universitários de tradução fornecem a formação fundamental, mas a graduação não é condição sine qua non para exercer a profissão, visto que os graduados nem sempre seguem carreira, quer por mudança de planos ou exigências do mercado para as quais não estão preparados, e muitos dos conceituados profissionais não possuem graduação.

Algumas entidades, o portal terminologia.com.br, a ABRATES, entre outras, promovem o desenvolvimento profissional e a valorização dos profissionais e da profissão. Há também a figura do tradutor público e intérprete comercial, cuja atividade é regulada, no caso do estado de São Paulo, pela deliberação da JUCESP no 004/00.

Infelizmente, grande parte dos tradutores juramentados, como ocorre em outras profissões, também não têm a qualificação adequada, o que reforça a afirmação de que um título ou associação sindical é importante, mas nem sempre designa qualificação. O caminho das pedras é qualificar-se!

O sucesso nesta profissão depende muito da competência e eficiência do profissional, lembrando, é claro, que é imprescindível dominar os idiomas que traduz.

O mercado de trabalho tem seus altos e baixos. A globalização, a circulação de informações pelo mundo e os investimentos em parcerias internacionais geram grande demanda, mas basta uma mudança política ou financeira para causar uma desaceleração. Por isso, quanto mais qualificado e flexível for o tradutor, mais estabilidade ele terá.

No Brasil, as maiores oportunidades de trabalho estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste, com grande demanda também em Brasília, por ser o distrito federal e pela grande concentração de embaixadas.

O inglês ainda é o idioma com maior demanda. Entretanto, devido às mudanças na política internacional, outros idiomas vêm conquistando mais espaço, como, por exemplo, o espanhol, o alemão, o francês, o italiano e, agora com a aproximação de Brasil e China, o mandarim.

São vários os segmentos de tradução e incluem livros, textos jurídicos, médicos, químicos, metalúrgicos, TI, marketing, entre outros. Se por um lado especializar-se em um determinado segmento resulta em aperfeiçoamento da qualidade, por outro, colocar os ovos em uma cesta só pode ser perigoso. Escolha a sua área, mas esteja pronto para atuar em outra caso a sua esteja em baixa.

No próximo artigo falarei sobre a forma de trabalho – CLT ou autonomia? – trabalhar sozinho ou em equipe? – quem são as agências de tradução? – e, que preço cobrar?

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