Todos sabemos que a Internet veio para ficar. Basta olharmos ao nosso redor para termos certeza disso. Mas aqui não pretendo discutir as razões pelas quais a Internet invadiu a nossa praia nem discorrer sobre o chamado apartheid digital. Essa conversa é muito longa e pode ficar para outro momento. O que me interessa, agora, é conversar com os leitores a respeito dessa profusão de textos diariamente enviados ao mundo digital, muitos deles publicados no calor da hora, sem mais cuidados com a linguagem nem preocupações com os possíveis leitores.

O que me levou a convidar você, leitor, para essa conversa foi a leitura dos artigos e comentários publicados aqui no Portal. Em todos eles, há uma constante preocupação com a língua (no caso, a portuguesa), que é um bem precioso e a todos pertence.

No caso da nossa língua portuguesa, por exemplo, sabemos que é uma língua complicada, repleta de regras complicadíssimas, não raras vezes difíceis de aplicar e, como se não bastasse, atuamos em um mercado feroz e voraz, que é o mundo da tradução.

Aqui, eu aproveito o gancho para chamar a atenção para o texto Dicas ao aspirante a tradutor, do Leandro Henrique, especialmente pelas dicas preciosas para o profissional da tradução. Em seu artigo, Leandro afirma que “as línguas têm suas particularidades, expressões idiomáticas, por exemplo, e o bom tradutor não é aquele que as traduz ‘ao pé da letra’, mas que sabe interpretá-las e expressá-las corretamente no idioma de chegada”. Coloco em destaque este trecho porque compartilho com o autor a idéia de que todas as línguas têm sua riqueza e beleza, e que a nós, tradutores, cabe dar conta disso ao traduzir um texto.

Em outros artigos, ficam evidentes questões referentes à formação profissional; à proliferação de “tradutores”, em decorrência do desemprego cada vez mais acentuado no mundo globalizado; à preocupação com textos bem diagramados; à velha e longa discussão sobre versão de textos, especialmente no que se refere à definição de tradutor nativo; às armadilhas de linguagem; e outras tantas questões igualmente relevantes ao nosso ofício.

Mas, voltando ao começo do texto, sem deixar de estimular releituras dos artigos publicados e incentivar a postagem de outros tantos comentários, quero jogar conversa fora com vocês a respeito dessas questões tão caras ao nosso ofício. Aceita o convite?

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