Vamos prosear?

Publicado por: Airton Dantas de Araújo em Português

Todos sabemos que a Internet veio para ficar. Basta olharmos ao nosso redor para termos certeza disso. Mas aqui não pretendo discutir as razões pelas quais a Internet invadiu a nossa praia nem discorrer sobre o chamado apartheid digital. Essa conversa é muito longa e pode ficar para outro momento. O que me interessa, agora, é conversar com os leitores a respeito dessa profusão de textos diariamente enviados ao mundo digital, muitos deles publicados no calor da hora, sem mais cuidados com a linguagem nem preocupações com os possíveis leitores.

O que me levou a convidar você, leitor, para essa conversa foi a leitura dos artigos e comentários publicados aqui no Portal. Em todos eles, há uma constante preocupação com a língua (no caso, a portuguesa), que é um bem precioso e a todos pertence.

No caso da nossa língua portuguesa, por exemplo, sabemos que é uma língua complicada, repleta de regras complicadíssimas, não raras vezes difíceis de aplicar e, como se não bastasse, atuamos em um mercado feroz e voraz, que é o mundo da tradução.

Aqui, eu aproveito o gancho para chamar a atenção para o texto Dicas ao aspirante a tradutor, do Leandro Henrique, especialmente pelas dicas preciosas para o profissional da tradução. Em seu artigo, Leandro afirma que “as línguas têm suas particularidades, expressões idiomáticas, por exemplo, e o bom tradutor não é aquele que as traduz ‘ao pé da letra’, mas que sabe interpretá-las e expressá-las corretamente no idioma de chegada”. Coloco em destaque este trecho porque compartilho com o autor a idéia de que todas as línguas têm sua riqueza e beleza, e que a nós, tradutores, cabe dar conta disso ao traduzir um texto.

Em outros artigos, ficam evidentes questões referentes à formação profissional; à proliferação de “tradutores”, em decorrência do desemprego cada vez mais acentuado no mundo globalizado; à preocupação com textos bem diagramados; à velha e longa discussão sobre versão de textos, especialmente no que se refere à definição de tradutor nativo; às armadilhas de linguagem; e outras tantas questões igualmente relevantes ao nosso ofício.

Mas, voltando ao começo do texto, sem deixar de estimular releituras dos artigos publicados e incentivar a postagem de outros tantos comentários, quero jogar conversa fora com vocês a respeito dessas questões tão caras ao nosso ofício. Aceita o convite?

Leia também:

Envie este artigo por e-mail Envie este artigo por e-mail

15 comentários para “Vamos prosear?”

  1. ADOREI ler o artigo… traz coisas superlegais pra se pensar no dia a dia da gente… da até pra desconfiar de muitas outras coisas, não é mesmo? MARAVILHA! Quero te ler mais.

  2. Voce menciona questoes no seu texto que na verdade sao de extrema importancia pra quem trabalha com texto… é preciso ficar muito atento a isso quando a gente está produzindo porque nao devemos ignorar pra quem a gente escreve.

  3. Airton, quando publicará outro artigo?

    Abraços!

  4. Airton Dantas de Araújo disse:

    Leandro, o que importa nessa conversa é tentar perceber quais são as vantagens e desvantagens inerentes à internet e como nós, tradutores, devemos lidar com todas essas novidades. É isso aí. Forte abraço.

  5. Airton Dantas de Araújo disse:

    Tânia, você tem toda razão. E o melhor dessas conversas é exatamente isso: cada um percebe um aspecto, que vai ampliando a visão do outro. Não há dúvidas de que a internet nos obriga a repensar muitas coisas, inclusive a linguagem. Grande abraço.

  6. Airton, obrigado pela menção de meu artigo. Acredito que a relação entre a internet e a tradução, assim como a maior parte das coisas, tem suas vantagens e desvantagens… Esse “movimento” citado pela Jaciara, por exemplo, eu enxergo como uma tendência, trata-se de uma troca de experiência, é lógico, considerando que o tradutor compartilhe seu conhecimento, adquirido pelo trabalho, de forma ética. Exemplo sólido dessa tendência é a Wikipedia, ferramenta que sobrevive do conhecimento de internautas do mundo inteiro… Não é uma fonte 100% precisa mas, com as constantes contribuições, torna-se cada vez mais confiável. Podemos incluir o fórum do portal terminologia a essa realidade.
    Em relação à falta de preocupação com a língua, maus profissionais existem em todas as áreas, infelizmente… E acho que para isso não há remédio, mas levantar discussões como essa e outras do site, dar dicas etc., ajudam a amenizar a situação.

    Abraços!

  7. Essa prosa está muito interessante mesmo!
    Vou contribuir com um pouco mais de “lenha”. Acredito que, como a língua é viva, naturalmente ela segue o seu percurso, muitas vezes por caminhos tortuosos, concordo. Com o advento da internet o percurso tem sido mais veloz e escancarado, talvez por isso nos cause tanta estranheza. Temos alguns exemplos: regras de acentuação que ora muda, ora não; expressões de modismos,o famigerado dialeto MSN e por aí vai…Pois é meus caros, o assunto é denso. Abraços.

  8. Airton Dantas de Araújo disse:

    Vagner Bandeira, tudo indica que essa conversa vai tomar rumo muito interessante mesmo. Você tem razão quando diz que às vezes entramos em trabalho de parto. Quem manda a gente escolher o mundo das letras (claro que aqui estou puxando a sardinha pro nosso lado)! Claro que educação nunca foi prioridade no Brasil, a formação profissional (no melhor sentido do termo) não é para todos… talvez por essa e por outras questões observamos tantos descuidos “com a língua e preocupação com os leitores”, como destaca Adriana. E outros inúmeros descuidos também.

  9. Airton Dantas de Araújo disse:

    Adriana, sua contribuição é preciosa. De fato, não se pode ignorar nem o espaço em que esses textos circulam nem o público a que eles se destinam. A grande questão, como você mesma chama nossa atenção, é como manter a espontaneidade da oralidade afinada com aspectos lingüísticos. Tomara que alguém se anime a aprofundar essa nossa conversa. Abraços.

  10. Airton Dantas de Araújo disse:

    Carlos Henrique, obrigadíssimo pela mensagem. Sinto-me bem à vontade pra lhe pedir que, se possível, indique pra nós pelo menos um aspecto que você julgue interessante para nossa conversa. Aguardo seu comentário. Abraços.

  11. Airton, sobre o trecho em que você diz “…línguas têm sua riqueza e beleza, e que a nós, tradutores, cabe dar conta disso ao traduzir um texto…”, comento o seguinte:

    Poucos se importam com beleza da língua e muitos desconhecem sua riqueza. Assim, “dar conta disso” ao traduzirmos um texto redigido por esses “poucos e muitos” se torna um trabalho de parto.

    Infelizmente, o contrário também acontece. Vemos por aí textos belissimamente escritos e “traduções por poucos e muitos”.

    Será falta de educação, treinamento, interesse? Por que essa falta de “cuidados com a língua e preocupação com os leitores”, como disse a Adriana?

  12. Penso que os textos publicados na Internet, principalmente em espaços de debates, como fóruns e chats, trazem muitas marcas da oralidade, por isso nos deparamos com certos “desleixos” com a língua. Para mim, essa é uma grande questão: nesse mundo digital, como manter a espontaneidade da oralidade e, ao mesmo tempo, ter cuidados com língua e preocupação com os leitores?

  13. Tu colocas questões trilegais no teu artigo… parabéns!

  14. Airton Dantas de Araújo disse:

    Ótimo, Jaciara. É isso mesmo que queremos: quanto mais lenha a gente colocar na fogueira, seguramente mais alta será a chama e, com bastante claridade, a gente terá muito mais condição para discutir questões que hoje estão bem nebulosas. Um forte abraço.

  15. Para colocar mais lenha nesta discussão: além do desemprego, a globalização e a expansão da web parecem expandir o inglês e estimulam os tradutores “amadores” (que muitas vezes têm a boa intenção de compatilhar na língua materna o conteúdo) divulgam suas traduções na rede e são copiados por outros e por outros… O que os tradutores pensam desse “movimento”?

Deixe seu comentário

XHTML: Você pode utilizar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>