Polêmica: tradução de “female mice”
Publicado por: Equipe terminologia em Português, Tradução
O propósito deste artigo é abrir espaço exclusivo para discussão sobre um tema que tem causado polêmica na seção de “pérolas de tradução”. Tudo começou quando Lucivânia França sugeriu que a tradução de “female mice” seria “camundongos fêmeas” em vez de “camundongas”.
Segundo ela, “Isso gerou uma discordância entre alguns participantes, o motivo é que “deve haver concordância do gênero do qualificador para o qualificado”. Então talvez a sugestão mais cabível neste caso seria “camundongos fêmeos” (inclusive no Word, ele dá a sugestão de correção gramatical para, por exemplo, onças machas e macacos fêmeos) ou camundongos do sexo masculino/feminino, porém essa possibilidade, segundo Patrícia em seus comentários nas pérolas de tradução, não é viável. Mais além, eu dei uma pesquisada no dicionário eletrônico Houaiss e vi que o uso de “macha” e “fêmeo” é correto, porém menos usado. Conforme o próprio dicionário, para a palavra “fêmeo”: (…)”todavia, o masculino deste adjetivo, por ser morfologicamente masculino, mas feminino na significação, é menos us. do que o substantivo fêmea para formar femininos compostos; tal emprego exige, porém, o uso de hífen, por se tornar palavra composta de dois substantivos: jacaré-fêmea, tatu-fêmea, beija-flor-fêmea [cf. fêmea]“.
Ainda assim, existe o uso de onça macho, por exemplo, sem hifen, que segundo o próprio dicionário é o mais usado. ”
Com todas essas opiniões divergentes, o que vocês acham mais apropriado/correto. Votem na enquete abaixo e deixem seus comentários e opiniões.



sábado, 19 de abril de 2008 às 12:59
Por favor, tradutores!!!
Devemos mesmo confiar nas opções de correção gramatical do Word (como no caso discutido acima de “onças machas e macacos fêmeos”)?
Uma vez,em minhas traduções,apareceu a expressão “sapata de freio”. Ao passar o corretor ortográfico, qual não foi minha surpresa quando o corretor acusou a expressão “sapata” e sugeriu “lésbica”!!!
Quando tivermos dúvidas gramaticais, porque não consultarmos uma gramática???
quarta-feira, 19 de março de 2008 às 16:15
Concordo com a Mi: o que deve ser considerado é o termo mais utilizado pelo público-alvo do texto. Num texto científico a melhor terminiologia é camundongo fêmea e girafa macho.
quarta-feira, 19 de março de 2008 às 14:03
Olá amigos,
acredito que ambas as formas – camundongo fêmea e camundonga – podem ser usadas, dependendo do contexto. Em um artigo técnico/científico a forma ideal deve ser a “camundongo fêmea”, para não gerar ambigüidades, mas em um conto ou em uma poesia alguém pode querer incorporar o eu-lírico de um camundongo apaixonado e escrever “minha camundonga cheirosa …”. Em alguns casos as duas situações podem se misturar. Conheço um pesquisador, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Química, que para explicar interações intermoleculares usa os termos “a molécula” e “o moléculo”. E aí, ele está errado?
quarta-feira, 19 de março de 2008 às 13:38
Acredito que qualquer idioma está sujeito a alterações e mudanças com relação a norma culta imposta por livros. Apesar do dicionário nos dizer uma coisa, camundongo fêmea soa muito melhor. Temos que nos lembrar de que a língua está aí para auuxiliar nossa comunicação e não para atrapalhar. Caso contrário falaríamos o mesmo português falado em Portugal.
terça-feira, 18 de março de 2008 às 22:40
Acho que além da informação retirada do dicionário, é preciso que se observe o que soa natural da língua, por isso eu usaria camundongo fêmea e girafa macho. Também é interessante analisar a opinião dos profissionais que usam esse tipo de terminologia. Os veterinários parecem usar camundogo macho e girafa fêmea.
terça-feira, 18 de março de 2008 às 22:27
Errata: Estados
terça-feira, 18 de março de 2008 às 22:26
Camundongo-fêmea, camundonga, camundongo fêmeo, camundongo fêmea, camudongo do sexo feminino… essa rataria dá arrepios!
Na verdade, o que deve ser considerado é o termo mais utilizado pelo público-alvo do texto, sempre respeitando as normas da língua portuguesa e o bom senso. Como bióloga, garanto que textos científicos escritos por paulistanos raramente conterão os termos “camundonga” ou “camundongo-fêmeo”; utilizamos nos nossos relatórios “camundongo fêmea”. Para animais, à exceção de formas masculinas e femininas bem conhecidas (gato/a, boi/vaca, cão/cadela, etc.), normalmente usamos o substantivo seguido de macho/fêmea, sem hífen.
Entretanto, não sei qual a forma mais comum em outros estados, pois muitas vezes há variações regionais da língua. Alguém para comentar?
terça-feira, 18 de março de 2008 às 11:59
Bom dia.
Concordo com a Adriana, tudo é questão de bom senso. Porém eu acrescento mais uma pergunta, a qual, espero, se perpetue com mais discussões interessantes como as vistas nesse tópico: Por que devemos seguir a tradução inglesa e não contemplar a história da língua portuguesa? Não sou “expert” no assunto, mas creio que cada língua foi aperfeiçoada de pólos lingüísticos totalmente diferentes (pólo anglo-saxônico e pólo latino), e, por isso, devemos procurar, no latim, a origem da palavra em questão (camundongo) e verificar se a construção “camundonga” é viável.
[]s
JP
segunda-feira, 3 de março de 2008 às 11:55
Acho que é tudo uma questão de bom senso. Camundongo fêmea e girafa macho são os usos correntes mais comuns. Talvez pela nossa gramática não sejam as formas ideais, mas são possíveis.
Mas a Patrícia mencionou uma coisa importante: quem são nossos clientes, lingüistas ou médicos, farmacêuticos, etc?
Não estou dizendo que se o cliente pedir para traduzir “needle” por “bisturi” isso deve ser acatado. De forma alguma! Por isso, repito, é preciso BOM SENSO!!! Bom senso até mesmo para, às vezes, fazer uso de uma certa “licença poética” sim, se isso for deixar o resultado final mais “fluido”.
Da mesma forma que as pérolas da tradução tiram nossa concentração, é bem provável que nossa tradução “100% fiel à gramática da língua portuguesa” possa tirar a concentração do nosso cliente, por não ser o uso corrente em seu meio de atuação.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 às 15:35
Eu fui uma das pessoas que votou em camundonga e girafo. Sei que parece feito, mas se existe lógica para camundonga, por que não girafo, sapa, formigo, zebro, and so on? Não vejo a hora de sair o resultado.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 às 15:07
errata: No contexto que a Rohanda expôs no Pérolas da tradução indica que “facilities” se refere a um recurso ou algo do gênero.
(..)“…the following FACILITIES must be available and connected…”
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 às 14:58
Carlos, tudo bem procurar formas alternativas, mas dependendo do contexto (e não me refiro necessariamente a esse caso), tem que respeitar a terminologia que o texto exige. Para facility, por exemplo, temos unidade fabril ou fábrica (de acordo com o contexto exposto pela Rohanda nos comentários das “Pérolas de tradução) e ainda em alguns casos, instalação (se eu estiver errada quanto a este último, me corrijam, por favor), mas em outro contexto será facilidade. Então, tudo bem você pensar em uma tradução alternativa, mas tem que tomar cuidado, porque são casos e casos.
Mas o que eu gostaria de saber mesmo é a opinião de quem votou em camundonga e girafo. rs
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 às 13:14
Acredito que camundongo fêmea e girafa macho não esteja incorreto pois são entendidos dessa forma, é um senso comum.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 às 11:28
Creio que o maior problema deve-se ao fato de que, ao contrário do português, em inglês não precisamos concordar em gênero no caso proposto. O que nos remete à questão do gênero e do sexo que são muitas vezes confundidos. Exemplos:
Palavras como mesa, bola, carro etc. não têm sexo, porém possuem gênero em português (fem., fem., e masc.). O que não ocorre em inglês, pois temos: THE table, THE ball, THE car. Ou seja, nos substantivos epicenos e nas palavras exemplificadas o gênero não importa.
Em suma, ao traduzirmos devemos levar em consideração uma série de fatores, e no caso de “female mice”, acredito que acima de utilizarmos o uso mais freqüente do termo, ou o “mais correto gramaticalmente”, devemos refletir o uso (apesar de incomum) das formas alternativas que o idioma nos oferece e tentar conciliar bom senso e uso correto da língua de chegada.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 às 11:16
O português, assim como qualquer outro idioma, é passível de mudanças causadas pelo uso popular da língua. Óbvio que não significa que, por esse motivo, pode-se assassinar a gramática porque a ‘maioria das pessoas’ fala ‘assim ou assado’, principalmente na escrita. Portanto, nesse caso específico, sem dúvida o mais comum (mesmo que não seja o mais correto segundo o dicionário) é dizer “camundongo fêmea” e “girafa macho”.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 às 11:01
Acredito que “girafo” está errado, além de muito feio! Nessa linha de raciocínio, apesar de não soar estranho, também estaria incorreto “camundonga”. Agora imaginem como seria traduzido uma “female deer”. Uma “veada”? (risos)
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 às 10:34
Camundongo fêmea e girafa macho.
Sempre usei dessa forma e sempre li dessa forma, acabei assimilando. Mesmo contradizendo o dicionário. Não vejo o uso de macho e fêmea com hífen, chega a ser estranho, tão estranho quanto camundongo fêmeo e girafa macha.