Minha pátria é minha língua
Publicado por: Airton Dantas de Araújo em Português
O que me levou a escrever este texto foi o artigo “Mudanças na ortografia da língua portuguesa” publicado, em 14 de agosto de 2007, por Vagner Bandeira.
Pra começo de conversa, é sempre bom lembrar que a língua portuguesa, tal como a conhecemos hoje, tem dois sistemas ortográficos: o que vigora no Brasil e o adotado por Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Timor Leste. Ambos os sistemas são oficializados por dispositivos legais. No Brasil, a grafia é regida pela lei 2.623, de 21 de outubro de 1955.
Claro que essa “discordância ortográfica” entre Brasil e os demais países que falam a língua portuguesa está ligada à nossa própria história. Não podemos esquecer que, após a chamada independência do Brasil, ocorrida em 1822, os escritores não se cansavam em afirmar que precisávamos também de uma independência cultural. Este é um fato, por exemplo, que nos ajuda a entender por que o Brasil nunca reconheceu a autoridade lingüística de Portugal. É claro que há outros igualmente significativos e importantes nessa longa história entre a metrópole (Portugal) e ex-colônias (os chamados países lusófonos).
É importante lembrar que as diferenças entre as duas ortografias não são substanciais, a ponto de inviabilizar a leitura dos textos produzidos em língua portuguesa. O que pega mesmo é a difusão internacional da língua portuguesa. Pensemos, por exemplo, nos organismos internacionais que adotam o português como língua oficial. A que ortografia eles recorrem? Duplicam os documentos oficiais para contemplar os dois sistemas? Sem falar em questões muito mais complexas e dispendiosas economicamente. Só para ilustrar: o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa talvez, nos países lusófonos, precisasse ser reinventado! Baita prejuízo pela lógica do sistema capitalista. E paremos por aqui! Aos leitores, fica o convite para outras tantas possibilidades de reflexão acerca desse tão falado acordo ortográfico.
Também é importante chamar a atenção para o fato de que a tão propagada unificação da língua portuguesa não passa de um equívoco. O que se deseja é uma unificação da ortografia. Falando claramente: o que se quer é unificar a escrita e não a língua, porque isto é impossível, porque a sociedade em que el é falada é heterogênea.
Já que falamos em equívoco, vale esclarecer aqui que não se trata propriamente de uma reforma ortográfica e sim de um acordo de unificação ortográfica. Nunca é demais lembrar, também, que é impossível escrever como se fala! Se isto fosse possível, como resolveríamos as variações de pronúncia de região para região em cada país? E, hoje, considerando tudo o que já foi produzido em língua portuguesa (disponível em bibliotecas, na Internet etc.), uma reforma ortográfica radical é IMPENSÁVEL! Não é verdade, caríssimo leitor?
Não quero me alongar mais… mas quero convidar nossos leitores a pensar mais amplamente sobre o assunto. Ao refletir mais profundamente sobre o tema certamente o leitor chegará a questões como recusa à “brasilianização da ortografia”, porque para a Metrópole isso é demais!; a luta de Portugal por se manter na posição de padrão da língua; impedir que o Brasil não tenha um papel pleno no intercâmbio cultural e científico entre os países lusófonos, só para citar alguns!



quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 às 13:23
superbom achar esse material, quero q vcs façam mais sobre as regras pra gente entender mais… superabraços (risos) é assim que escreve agora?
terça-feira, 30 de dezembro de 2008 às 12:06
Foi muito bom ter lido o texto que está aqui, ele é bem escrito, o autor deixa bem claro o que quis dizer com o texto. Foi muito bom conhecer esse tipo de portal. Meus parabéns pra voces.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008 às 16:09
que bom q achei esse texto… tava mesmo precisando desse tipo de material… super obrigada.
segunda-feira, 21 de julho de 2008 às 18:15
É importante que haja a discussão sobre a entrada em vigor do acordo ortográfico e que não fique restrita apenas aos círculos acadêmicos. O acordo não deixa de ser uma reforma ortográfica, uma vez que propõe mudanças na escrita que serão sentidas por todos os usuários da língua portuguesa ao redor do mundo. Em vez de dois sistemas ortográficos dentro da língua, em que um não reconhece o outro, haverá um sistema unificado e válido em todo o mundo lusófono. E vai no sentido na convergência entre as escritas européia e brasileira, que se tentou fazer há quase cem anos.
Hoje, fala-se em ortografia européia ou ortografia brasileira do português. Bem, os modos de escrita do inglês são reconhecidos em todo o mundo anglófono e ninguém fala em escrita britânica ou norte-americana. O espanhol tem variações de léxico e de pronúncia na Espanha, no México e na Argentina, e as regras de escrita são uniformes para o mundo inteiro. Apenas no português ocorre essa divisão.
Importante este texto que serve como convite à reflexão.
segunda-feira, 30 de junho de 2008 às 16:44
é super importante tentar entender um pouco toda essa confusao sobre acordo ou não acordo… a gente vai entendendo melhor quando a gente vai trocando informacao uns com os outros… valeu mesmo…
sexta-feira, 11 de abril de 2008 às 10:10
Foi muito interessante ler teu texto… gostei mesmo… espero que escrevas mais.
sexta-feira, 11 de abril de 2008 às 09:39
Não concordo com a unificação, uma vez que muitos fatores como cultura, métodos de ensino, estilo de vida, dentre outros, farão com que a “brilhante” idéia cause um caos geral.
Como mudar métodos, unificar escritas?
Não creio que fosse possível ou de grande valor para a nossa língua.
Na verdade, necessitamos que seja melhorada a maneira como os falantes enxergam a língua e suas normas ortográficas. Vemos milhões de analfabetos e muitos alfabetizados que mal conseguem se expressar.
Preocupemo-nos com isso, não acham?
terça-feira, 8 de abril de 2008 às 11:28
Como é complicada a questão toda. A gente sempre tem que ficar desconfiada de tudo, não dá mesmo pra acreditar e pronto! Sempre tem uma coisinha lá no fundo, escondida, pra atrapalhar a vida da gente. Muito interessante o espaço que a Terminologia criou… aqui a gente pode conversar sobre muitas dúvidas nossas e sempre ficar sabendo mais sobre as coisas. A-D-O-R-E-I.
terça-feira, 1 de abril de 2008 às 15:22
É importante lembrar que não só a língua portuguesa passa por esses problemas com relação a uma eventual unificação ortográfica. Não acredito que ela seja assim tão necessária, tendo em vista os exemplos de outros idiomas falados por mais de uma cultura: inglês, espanhol. Para ambos os idiomas, e acredito que mais para o espanhol, a divergência ortográfica é bastante significativa, o que não impede a comunicação. No caso citado no artigo, onde um organismo internacional que opte pelo uso da língua portuguesa deveria ter seus documentos duplicados, creio que seja exagerado. Em sua grande maioria, organismos internacionais usam a língua inglesa como idioma oficial e optam por um dos sistemas ortográficos, sem maiores problemas (talvez isso seja ignorância da minha parte, mas realmente nunca li nada a respeito de uma unificação do idioma inglês). As divergências ortográficas não impedem a compreensão do texto e talvez representem exatamente o fato de que tal idioma está sendo usado por culturas diferentes,e nisso não vejo problema nenhum. Mais uma vez, me desculpem a ignorância, mas qual é a razão de uma unificação ortográfica afinal?