Estão deixando a tradução virar pastel. Aquele mesmo pastel que você pede, fica pronto na hora, e paga menos de R$ 2,00. Os “pasteleiros” da tradução estão por toda parte e, sem a mínima noção do que fazem, vão vendendo seus pastéis e deturpando a imagem da tradução como ofício.

Diferente de um professor de idioma, que requer proficiência apenas na língua ensinada, o tradutor precisa ser proficiente tanto na língua da qual como para a qual traduz, com responsabilidade de entregar textos fiéis à língua de partida, mas escritos na forma da língua de chegada. Quem não atua assim NÃO é tradutor.

Os “pasteleiros” inventaram um tipo de “revisor” para usar de muleta quando o “pastel” queima. Em outros termos, o “revisor” vai corrigindo e limpando as cacas do “tradutor”. O pior é que muitas vezes esse “revisor” conhece bem menos que o “tradutor”. Alguns simplesmente rodam um corretor ortográfico que, por exemplo, para “O Colégio São Bento” sugere “O Colégio É Bento”. Olhe a graxa de pastel que vai sair.

Não há dúvida de que qualquer tradução requer uma boa revisão, e ponto. De um lado, deslizes – não erros crassos – são inevitáveis; de outro, se é o tradutor ou o revisor quem deve revisar a tradução, isso é uma questão de opção. O que NÃO deve ocorrer é atribuir ao revisor a responsabilidade que compete tão somente ao revisor.

Revisor (de verdade) deve conhecer tanto quanto ou mais que o tradutor, pois só assim poderá encontrar e corrigir possíveis erros relativos à redação, digitação, tipografia ou ainda relativos ao conteúdo. O trabalho do revisor é tão difícil quanto o do tradutor, por isso é uma opção mais cara.

Se o tradutor é de fato um tradutor, não um “pasteleiro”, ele pode fazer sua tradução, se distanciar dela por algum tempo, e depois revisá-la. Mesmo assim, erros corriqueiros podem passar despercebidos. Para isso existem os conferentes.

O conferente é alguém com conhecimento na língua de chegada e, com olhos de águia, vai colocando aquela vírgula esquecida, a crase que faltou, um número digitado errado, um erro ortográfico e deslizes semelhantes.

Acabei de revisar um “pastel especial”, um daqueles monstruosos e cheguei à conclusão de que não vou revisar mais “pastel”, só a minha própria tradução ou a de um verdadeiro tradutor.

“Pasteleiros”, get real (caiam na real)! Nem com o advento das mais modernas tecnologias, a tradução jamais será um pastel.

Deixo aberto para seus comentários e experiências semelhantes.

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