Artigos de janeiro de 2010

Os “bugs” na tradução de TI

Publicado por: Equipe terminologia em Tradução

Se a regra para traduzir é “transpor um texto de determinada língua a outra, com fidelidade ao conteúdo, mas respeitando-se o espírito da língua para a qual se traduz“, deve haver uma exceção para traduzir textos de TI. Ou não?

É grande a divergência entre os lingüistas mais puristas e profissionais de TI em geral quando o assunto é anglicismo – introdução de expressões inglesas na língua portuguesa -, e a falta de consenso nesse sentido pode levar um tradutor à ovação ou a um banho de ovos mesmo.

Se para o tradutor purista anglicismos como site, mouse etc. em nada respeitam o espírito da língua portuguesa, para o profissional de TI as respectivas traduções sítio, rato etc. causam muita estranheza. Se não bastasse isso, há quem fique no meio do caminho, e aportuguesa termos ingleses como “atachar” (de attach; anexar), “printar” (de print; imprimir), “estartar” (de start; iniciar) etc.

O pior, ou melhor, é que se “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, e mesmo com correspondência em português e relutância dos mais puristas, aportuguesamentos como “escanear” (de scan; digitalizar) e “deletar” (de delete; apagar) já são reconhecidos pela Academia Brasileira de Letras.

Para resolver questões como essas, o tradutor deve tentar agradar a gregos e troianos, respeitando o máximo possível os jargões da área, sem ridicularizar a língua portuguesa. A propósito, “atachar” seria com x ou ch?

É por essas e outras que traduzir textos de TI é uma tarefa difícil, que requer sólidos conhecimentos lingüísticos e terminológicos, e quase sempre deixa o tradutor entre a cruz e a espada, esperando tomar a melhor decisão para evitar “bugs” – ou erros para os puristas – no seu trabalho.

Bug é um termo do inglês que significa “inseto” ou “besouro”, utilizado em TI para designar um erro, uma falha de sistema ou programa. Há várias teorias sobre sua etimologia, uma delas é que ele surgiu quando um inseto causou problemas de leitura no fonógrafo de Thomas Edison em 1878.

Artigo originalmente publicado na revista Asug News, edição de outubro/2008.

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