Como se sabe, não basta conhecer duas línguas, a de partida e a de chegada para traduzir. É mister, entre outras coisas, familiarizar-se com a terminologia de uma determinada área do conhecimento. A título de exemplo, a área química é uma que requer muito conhecimento.

Outro dia ao revisar um texto encontrei o termo chloride, cuja tradução para o português é, s.m.j., “cloreto”, mas que foi traduzido como “cloro”. Por saber que “cloro” em inglês é chlorine, fiquei em dúvida: a tradução está certa ou errada? “Está certa!”, disse quem consultei. E a explicação é a seguinte:

O elemento químico cloro (Cl) (do grego chlorós, que quer dizer esverdeado, descoberto em 1774 pelo sueco Carl Wilhelm Scheele e mais tarde, em 1810, batizado como cloro pelo químico inglês Humphry Davy) é um gás halogênio de cor verde-amarelada, odor irritante e extremamente tóxico, tanto que na 1a. Guerra Mundial foi a primeira substância utilizada como arma química na história.

É abundante na natureza, porém é praticamente impossível encontrá-lo sem estar combinado com outros elementos devido a sua alta reatividade. A nomenclatura oficial para os compostos de cloro é cloreto + (nome do elemento ao qual está ligado). Exemplos: cloreto de sódio (NaCl), cloreto de potássio (KCl), entre outros.

No organismo, tem a função, dentre várias, de regular a pressão osmótica, pois, combinado com o sódio, mantém o balanço hídrico. Participa no equilíbrio ácido-base e na manutenção do pH sangüíneo.

Portanto, nesse caso, chloride foi traduzido corretamente, uma vez que o objetivo do exame era determinar a concentração de cloro no organismo do paciente. Como o cloro não está presente em sua forma pura, analisou-se o elemento em sua forma composta, ou seja, na forma de cloreto.

Como saber traduzir isso sem um pouquinho do saber químico? Taí!

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