Desafio ao tradutor: The Raven
O clássico da literatura norte-americana The Raven, de Edgar Allan Poe, é até hoje considerado um dos maiores desafios para uma tradução. Nomes célebres da literatura como, por exemplo, Machado de Assis e Fernando Pessoa, traduziram a obra para o português, mas que diferem entre si.
Após aula com professor de literatura inglesa e dos Estados Unidos, verifiquei que esse poema tem 18 estrofes com 6 versos cada, que alternam de oito pés graves (16 sílabas com acento agudo na penúltima), sete pés e meio agudos (15 sílabas, acento na última) e um sexto verso com sete sílabas. Uma perfeita construção de enlouquecer qualquer tradutor.
A maior dificuldade talvez seja tentar ser fiel ao teor e à essência do poema, sem perder a rítmica. Poe usa o som “ore” como rima central. Por exemplo, never more ressoa Lenore, nome de uma morta. Como seria possível manter o nome original e fazer com que Lenore ressoasse “nunca mais”?
Vejam abaixo uma estrofe do poema original e as traduções de Machado de Assis e Fernando Pessoa, respectivamente:
” Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume at forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping at my chamber door,
‘Tis some visitor’, I muttered, ‘tapping at my chamber door
- Only this and nothing more.’”
Edgar Allan Poe, 1845
“Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi a porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
‘E alguém que me bate à porta de mansinho,
Há de ser isso e nada mais.’”
Machado de Assis, 1883
“Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos curiosos tomos de ciência ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
‘Uma visita’ – pensei – ‘que se atrasou, talvez, demais:
-É só isto e nada mais’”
Fernando Pessoa, 1924
Na sua opinião, são fieis traduções? Qual a sua preferida e por que? Deixe seu comentário ou aceite o desafio de traduzir essa estrofe.
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| Imprimir artigo | Este artigo foi escrito por Caroline Goncalez em 06/06/2010 às 01:00, e está arquivado em Tradução. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site. |

há 9 meses atrás
a minha professora passo isso pra gente traduzi
eh o “ó”
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há 3 anos atrás
Achei a tradução de Machado de Assis mais fiel ao original.
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há 3 anos atrás
O fato é que são dois autores maravilhosos da Língua Portuguesa e que cumpriram muito bem essa tarefa.
Tentei, tentei e tentei realizar minha tradução, mas depois de muitas falhas, acho que preciso de muito mais conhecimento em literatura, bem como na obra e vida de Edgar Allan Poe.
Quem ainda aceitar o desafio, fica minha sugestão, afinal, conhecendo bem o autor, pode-se chegar a uma tradução o mais próxima possível.
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há 3 anos atrás
Na primeira olhada, achei o texto de Pessoa mais fiel à tradução, mas não sei. Depois, pensei que dois textos parecem ser fiéis, apenas escritos de modo diferente, provavelmente por influência da linguagem da época em que foram traduzidos. De qualquer forma, eu acho que apesar do Pessoa ter colocado as palavras de forma mais compreensível, o texto do Machado parece transmitir melhor os sentimentos do autor..
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há 3 anos atrás
Achei a tradução de Fernando Pessoa mais fiel. Além de tentar ser fiel à estrutura, em casos literários o tradutor tem que tentar ser fiel ao sentimento. Tarefa difícil, não?
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há 3 anos atrás
E depois dizem que a tradução técnica é mais difícil… nunca! Prefiro mil vezes o meu ‘legalese’, mas não posso negar que estou tentato a aceitar o desafio. Afinal de contas, para mim, tradutor é tradutor. Vamos ver, Carol, se eu acho um tempinho aqui. Muito legal o seu artigo.
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