Caroline Goncalez
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Artigos por Caroline Goncalez
Não entendeu? Isso é ruído!
12/12/11
“O quadro normativo prefigura uma coligação orgânica interdisciplinar para uma práxis de trabalho de grupo, com critérios não-dirigísticos, potenciando e incrementando, na medida em que isso seja factível, o co-envolvimento ativo de operadores e utendes” Celso Pedro Luft
Não entendeu? Isso é um ruído no processo de comunicação. Ao ouvirmos o termo “ruído”, logo a associamos a barulhos e distorções sonoras, porém, ele também ocorre no processo de comunicação, inclusive na comunicação escrita.
Ruídos são obstáculos que afetam a transmissão da mensagem acarretando perda ou distúrbio de informação, fazendo com que o discurso se torne ineficaz. De modo geral, podem ser: físicos (barulhos sonoros); psicológicos (falta de interesse, concentração); culturais (defasagem de conhecimento).
O que pode causar um ruído?
- O emissor: uso de palavras inadequadas, registro de fala inadequado, veicular assunto que não domina, distúrbios articulatórios, uso de vestimenta inadequada;
- A mensagem: pontuação deficiente ou incorreta, erros ortográficos ou morfossintáticos, grafia ilegível, assunto não pertencente à situação;
- O receptor: desinteresse, cansaço, problemas pessoais, conversas paralelas, falta de atenção; e
- O canal de transmissão: altura do som, mancha que dificulta leitura, interferências sonoras etc.
Redigir é uma tarefa árdua, que exige conhecimento suficiente para a transmissão de idéias, necessita cuidado e atenção e, acima de tudo, bom senso ao escolher sobre o que vai escrever, como será escrito e quem vai ler.
Muitas traduções apresentam resultados bizarros, pois os tradutores não conhecem o conteúdo, não buscaram saber a origem de certos termos e acabaram realizando-as em meio a muitos ruídos. Imaginem só o texto ruidoso que resultará?!
Se abaixamos o som para conversar, evitamos falar ao barulho excessivo, desligamos o telefone quando há interferência e nem pensamos em sintonizar uma freqüência de rádio quando estamos na Avenida Paulista; por que não evitar também o ruído no processo de comunicação escrita?
Pense bem e faça com que sua vida seja a menos ruidosa possível.
As traduções de facility
02/11/11
Segundo o Michaelis, facility significa: 1. facilidade; 2. simplicidade; 3. flexibilidade; e 4. habilidade, desembaraço. Somente depois de consultar o termo no plural – facilities – foi que encontrei mais uma possibilidade: instalações. Mas as possibilidades não param por aí.
O termo facility tem várias facetas, várias traduções, e pode significar desde a “facilidade” de fazer algo, uma “linha de crédito” (num contexto financeiro), uma “instalação” (no sentido de local para o exercício de uma atividade) e até mesmo “banheiro”.
Que tal enriquecermos os comentários deste artigo com exemplos das várias facetas de facility? Apareceu o termo? Achou novo uso? Comente aqui.
Estrangeirismo
18/05/11
É comum que uma língua se nutra de outras que, geralmente, são de uma cultura dominante. Numa época em que os Estados Unidos são considerados uma das maiores potências mundiais, é natural que seu idioma adquira força e assuma influência em outras línguas.
A nossa língua portuguesa recebeu, e recebe, vocábulos como resultado das relações políticas, culturais e comercias com outros países. Tal “empréstimo lingüístico” é conhecido como estrangeirismo. O empréstimo advindo da língua inglesa, em particular, é denominado anglicismo, visto por alguns como ameaça às raízes de nossa língua e, por outros, como algo comum de uma língua viva.
Um extremo da contrariedade ao estrangeirismo é o Projeto Lei nº 1676 de 1999, que prevê punição com multa (de R$1.300,00 a R$13.000,00) a quem fizer uso de verbetes de outras línguas.
O autor deixa claro que o projeto é uma forma de denúncia, resistência e defesa da identidade e cultura do Brasil. O Projeto foi aprovado no Senado Federal, em agosto de 2003, após aprovação na Comissão de Educação, Cultura e Desporto e na Comissão de Constituição e Justiça, ambas as Comissões constitutivas da Câmara Federal. Após essa data, foi encaminhado novamente à Câmara para votação e subseqüente promulgação por parte do Presidente da República, entretanto, lá permanece desde então.
A verdade é que deparamo-nos com anglicismos no nosso dia-a-dia (fast food, feedback, on line, drive thru, record, dentre outros) e seria uma difícil tarefa ignorá-los e buscar usar outras formas equivalentes em nossa língua, a não ser por um processo em longo prazo.
Alguns verbetes assumiram a forma aportuguesada na escrita e já foram consagrados em nossa língua, como: Bife (beef), futebol (football), suéter (sweater), estoque (stock), caubói (cowboy), blecaute (blackout).
Alguns outros aportuguesamentos (‘leiaute’, por exemplo) são de doer os ouvidos e, apesar de reconhecidos pelos dicionários Aurélio e Houaiss, são raramente utilizados, optando os escritores usar a forma inglesa, layout.
Resta uma dúvida: ao traduzir o termo layout, por exemplo, é mais apropriado manter-se a grafia original ou grafá-lo em sua forma aportuguesada? Há divergências. Você, como tradutor, o que faria?
Agora assista a esse vídeo que retrata o estrangeirismo com bastante humor. Vale a pena ver.
