Caroline Goncalez
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Artigos por Caroline Goncalez
Joana D’Arc: heroine or heroin?
11/09/10
A homofonia existe, se não em todas, em muitas línguas. O inglês, por exemplo, é repleto de palavras homófonas, como, por exemplo, my shoes are red e I read your letter yesterday. Fica bem óbvio que estamos falando de coisas completamente diferentes, mas o som das palavras red e read (no pretérito) é idêntico, o que não é muita novidade.
Há casos em que ao traduzirmos palavras homófonas como, por exemplo, Heroine e Heroin, o resultado é polissêmico: heroína.
Heroine é a heroína das revistas em quadrinhos, aquela mulher que realizou algum grande feito, corajosa, destemida, enquanto Heroin, também heroína em português, é o composto derivado da morfina, entorpecente não legalizado que leva a alucinações.
O que se pode concluir é que, novamente, a visão de mundo, cultura e conhecimento amplo do que está escrevendo, falando, traduzindo são primordiais.
A banda Camisa de Vênus, sucesso nos anos 80, brincou com a polissemia da palavra heroína na letra da música “Eu não matei Joana D’Arc”. Vejam a letra e concluam se a Joana D’Arc a que a banda se refere é heroine ou heroin. Mais >
Desafio ao tradutor: The Raven
06/06/10
O clássico da literatura norte-americana The Raven, de Edgar Allan Poe, é até hoje considerado um dos maiores desafios para uma tradução. Nomes célebres da literatura como, por exemplo, Machado de Assis e Fernando Pessoa, traduziram a obra para o português, mas que diferem entre si.
Após aula com professor de literatura inglesa e dos Estados Unidos, verifiquei que esse poema tem 18 estrofes com 6 versos cada, que alternam de oito pés graves (16 sílabas com acento agudo na penúltima), sete pés e meio agudos (15 sílabas, acento na última) e um sexto verso com sete sílabas. Uma perfeita construção de enlouquecer qualquer tradutor.
A maior dificuldade talvez seja tentar ser fiel ao teor e à essência do poema, sem perder a rítmica. Poe usa o som “ore” como rima central. Por exemplo, never more ressoa Lenore, nome de uma morta. Como seria possível manter o nome original e fazer com que Lenore ressoasse “nunca mais”?
Vejam abaixo uma estrofe do poema original e as traduções de Machado de Assis e Fernando Pessoa, respectivamente: Mais >
A cor local dos provérbios
06/09/09
Benjamin Lee Whorf, língüista responsável pela Teoria do Determinismo Lingüístico, já dizia: “Cada língua recorta a realidade de um modo particular.”
A cultura abrange todas as formas de pensamento, vida e ação existentes dentro de uma sociedade, incluindo a comunicação verbal e, portanto, o próprio sistema lingüístico. Um único ato humano é diferentemente vivido e representado por diferentes sociedades.
Os provérbios procuram ilustrar como os mais diversos povos têm o mesmo pensamento, uma mesma idéia, mas tendem a expressá-los de modo diferente, de acordo com seus hábitos, com o meio ambiente, sua história, seus valores etc.
Um provérbio muito conhecido no Brasil é “De grão em grão a galinha enche o papo.” A mensagem é bem clara, mas em outras línguas, a mesma idéia é transmitida de formas diferentes. Vejam:
- Em inglês: Little drops of water make the mighty ocean.
- Em francês: Pouco a pouco o passarinho faz seu ninho.
- Em italiano: De gota em gota se enche o mar.
- Em alemão: A água que pinga escava a pedra.
- Em russo: Fios de linha de todo o mundo podem fazer uma camisa inteira para um homem.
- Em chinês: O exército de Fu Chien deteve o curso do rio quando cada soldado atirou lá dentro o seu chicote.
- Em árabe: Um cabelo daqui, outro dali, finalmente fazem uma barba.
Assim, é importante que o tradutor não somente domine uma língua estrangeira, mas procure saber mais sobre os costumes de quem a fala.
