Artigos por autor: Caroline Gonçalez

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Nome: Caroline Gonçalez
Colaborador desde: 11/07/2008
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Estrangeirismo

Publicado por: Caroline Goncalez em Português

É comum que uma língua se nutra de outras que, geralmente, são de uma cultura dominante. Numa época em que os Estados Unidos são considerados uma das maiores potências mundiais, é natural que seu idioma adquira força e assuma influência em outras línguas.

A nossa língua portuguesa recebeu, e recebe, vocábulos como resultado das relações políticas, culturais e comercias com outros países. Tal “empréstimo lingüístico” é conhecido como estrangeirismo. O empréstimo advindo da língua inglesa, em particular, é denominado anglicismo, visto por alguns como ameaça às raízes de nossa língua e, por outros, como algo comum de uma língua viva.

Um extremo da contrariedade ao estrangeirismo é o Projeto Lei nº 1676 de 1999, que prevê punição com multa (de R$1.300,00 a R$13.000,00) a quem fizer uso de verbetes de outras línguas.

O autor deixa claro que o projeto é uma forma de denúncia, resistência e defesa da identidade e cultura do Brasil. O Projeto foi aprovado no Senado Federal, em agosto de 2003, após aprovação na Comissão de Educação, Cultura e Desporto e na Comissão de Constituição e Justiça, ambas as Comissões constitutivas da Câmara Federal. Após essa data, foi encaminhado novamente à Câmara para votação e subseqüente promulgação por parte do Presidente da República, entretanto, lá permanece desde então.

A verdade é que deparamo-nos com anglicismos no nosso dia-a-dia (fast food, feedback, on line, drive thru, record, dentre outros) e seria uma difícil tarefa ignorá-los e buscar usar outras formas equivalentes em nossa língua, a não ser por um processo em longo prazo.

Alguns verbetes assumiram a forma aportuguesada na escrita e já foram consagrados em nossa língua, como: Bife (beef), futebol (football), suéter (sweater), estoque (stock), caubói (cowboy), blecaute (blackout).

Alguns outros aportuguesamentos (‘leiaute’, por exemplo) são de doer os ouvidos e, apesar de reconhecidos pelos dicionários Aurélio e Houaiss, são raramente utilizados, optando os escritores usar a forma inglesa, layout.

Resta uma dúvida: ao traduzir o termo layout, por exemplo, é mais apropriado manter-se a grafia original ou grafá-lo em sua forma aportuguesada? Há divergências. Você, como tradutor, o que faria?

Como você grafa o termo "layout" em português?

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Agora assista a esse vídeo que retrata o estrangeirismo com bastante humor. Vale a pena ver.

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A cor local dos provérbios

Publicado por: Caroline Goncalez em Tradução

Benjamin Lee Whorf, língüista responsável pela Teoria do Determinismo Lingüístico, já dizia: “Cada língua recorta a realidade de um modo particular.”

A cultura abrange todas as formas de pensamento, vida e ação existentes dentro de uma sociedade, incluindo a comunicação verbal e, portanto, o próprio sistema lingüístico. Um único ato humano é diferentemente vivido e representado por diferentes sociedades.

Os provérbios procuram ilustrar como os mais diversos povos têm o mesmo pensamento, uma mesma idéia, mas tendem a expressá-los de modo diferente, de acordo com seus hábitos, com o meio ambiente, sua história, seus valores etc.

Um provérbio muito conhecido no Brasil é “De grão em grão a galinha enche o papo.” A mensagem é bem clara, mas em outras línguas, a mesma idéia é transmitida de formas diferentes. Vejam:

  • Em inglês: Little drops of water make the mighty ocean.
  • Em francês: Pouco a pouco o passarinho faz seu ninho.
  • Em italiano: De gota em gota se enche o mar.
  • Em alemão: A água que pinga escava a pedra.
  • Em russo: Fios de linha de todo o mundo podem fazer uma camisa inteira para um homem.
  • Em chinês: O exército de Fu Chien deteve o curso do rio quando cada soldado atirou lá dentro o seu chicote.
  • Em árabe: Um cabelo daqui, outro dali, finalmente fazem uma barba.

Assim, é importante que o tradutor não somente domine uma língua estrangeira, mas procure saber mais sobre os costumes de quem a fala.

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Joana D’Arc: heroine or heroin?

Publicado por: Caroline Goncalez em English, Português

A homofonia existe, se não em todas, em muitas línguas. O inglês, por exemplo, é repleto de palavras homófonas, como, por exemplo, my shoes are red e I read your letter yesterday. Fica bem óbvio que estamos falando de coisas completamente diferentes, mas o som das palavras red e read (no pretérito) é idêntico, o que não é muita novidade.

Há casos em que ao traduzirmos palavras homófonas como, por exemplo, Heroine e Heroin, o resultado é polissêmico: heroína.

Heroine é a heroína das revistas em quadrinhos, aquela mulher que realizou algum grande feito, corajosa, destemida, enquanto Heroin, também heroína em português, é o composto derivado da morfina, entorpecente não legalizado que leva a alucinações.

O que se pode concluir é que, novamente, a visão de mundo, cultura e conhecimento amplo do que está escrevendo, falando, traduzindo são primordiais.

A banda Camisa de Vênus, sucesso nos anos 80, brincou com a polissemia da palavra heroína na letra da música “Eu não matei Joana D’Arc”. Vejam a letra e concluam se a Joana D’Arc a que a banda se refere é heroine ou heroin. » Leia mais…

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