Vagner Bandeira
Tradutor (inglês/português/inglês) desde 1992, especializado nas áreas jurídica, financeira, administrativa e de marketing, mas não dispensa outras, por acreditar que o bom tradutor deve ter essa pré-disposição. Co-autor do dicionário jurídico Bandeira & Rubim (sem data de lançamento); palestrante em cursos rápidos sobre tradução; e revisor.
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Artigos por Vagner Bandeira
Aviso aos passageiros
07/12/10
Pense duas vezes antes de acreditar que “quem avisa amigo é”. Não há quem, ao adentrar um elevador, nunca tenha visto uma placa, sempre com o mesmo aviso:
“AVISO AOS PASSAGEIROS
Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.
Lei n° 12.722/98″
Certo dia, numa longa espera por um elevador quebrado, trocava olhares com a tal da “plaquinha”. Ela olhava para mim, eu para ela, e foi nesse namoro que percebi o quanto esse AVISO é de um amigo da onça.
Redação de LEI vista todos os dias por milhares de pessoas que, de tanto “aviso”, se viciaram e hoje maltratam a nossa língua, mesmo inconscientemente. Justificar tal indignação? Simples:
- Mesmo – Segundo nos ensina o mestre Napoleão Mendes de Almeida, o demonstrativo mesmo não tem função de pronome. O correto seria usar o pronome pessoal ele. Prova de que isso virou um vício é quando você liga a alguém (que não está) e a pessoa do outro lado diz “O mesmo não se encontra, quer deixar recado?”. Se for homem, é ELE, se mulher, ELA e ponto.
- Encontra-se – Embora o Houaiss apresente em sua 10a acepção, como verbo pronominal, o sentido de “estar em determinado lugar…”, não vamos abrir mão da clareza (mais que necessária a uma boa redação, principalmente de uma lei). Voltando à frase mencionada acima “o mesmo não se encontra”, não parece que tem uma coisa perdida e que não consegue se encontrar? Por que não dizer, simplesmente “ele(a) não está“?
- Para finalizar o show de incompetência lingüística, usaram o sinal de grau (º) em vez do sinal de número ordinal (o) no número da lei. Esse erro é tão comum quanto ridículo. Na frase “Leve este envelope ao 2º andar”, lê-se “leve este envelope ao 2 graus andar”. Custa passar um traçinho sob a bolinha? Alguns culpam o computador por isso, mas mal sabem que há jeito para tudo. Clique aqui e veja como fazer o sinal corretamente no seu editor de texto.
Quem avisa com esse tipo de aviso, amigo não é, quem compartilha os erros que ele contém, sim. Por isso compartilho estas informações com vocês, mas, ainda sobre o tal “AVISO”, deixo uma pergunta no ar:
Colarinho em inglês
25/09/10
Se o colarinho for aquele ligado a uma peça de roupa, ao redor do pescoço, estamos falando de collar, mas se ele for aquela espuminha que fica no topo de um copo de cerveja ou chope, esqueça o pescoço (neck), pois estamos falando de head.
Apesar do colarinho da cerveja ser branco, não o confunda com “colarinho-branco”, que é a designação dada aos profissionais que se vestem com certo grau de formalidade, geralmente executivos. Em inglês? White-collar.
Pelo fato dessa tradução para o inglês ser literal, não faça o mesmo quando você encontrar o termo blue-collar, pois o que seria o “colarinho azul” é meramente um operário que usa uniforme.
Agora chega de colarinho. Fui!
Acrônimos na tradução médica
23/05/10
Apesar de semelhantes na essência, os acrônimos FDA e ANVISA referem-se a instituições diferentes, a primeira nos EUA, e a segunda no Brasil e, por isso, um não pode servir como tradução do outro.
Para profissionais da saúde e muitos tradutores, isso pode não ser nenhum descobrimento da América, mas isso é uma exceção, devido ao uso recorrente desses acrônimos em jornais, na TV e na Internet.
Assim como em outras áreas do conhecimento, a literatura médica contém uma infinidade de acrônimos não tão ‘amigáveis’ com o tradutor, principalmente aquele que não é especializado em tradução médica.
Ao contrário de ANVISA e FDA, os acrônimos CHF (do inglês, Congestive Heart Failure) e ICC (do português, Insuficiência Cardíaca Congestiva), por exemplo, referem-se às mesmas doenças, tanto em inglês como em português e, por isso, devem ser a tradução um do outro.
Nos deve causar espanto vermos o acrônimo CHF, ou outro cuja tradução em português exista, mantido em inglês. Isso pode ser devido ao fato de que o rápido desenvolvimento da medicina e conseqüente rápida atualização terminológica levam os profissionais da saúde a se atualizar com a literatura em inglês, passando a adotá-la em seu cotidiano, sem considerar a ampla literatura existente em português.
Nesse sentido, posso mencionar a ficha clinica, cujo acrônimo CRF (Case Report Form) é geralmente mantido em inglês, mesmo porque nunca ouvi falar em “FC”, Mais >
