Português
Artigos publicados sobre o idioma português.
Estrangeirismo
18/05/11
É comum que uma língua se nutra de outras que, geralmente, são de uma cultura dominante. Numa época em que os Estados Unidos são considerados uma das maiores potências mundiais, é natural que seu idioma adquira força e assuma influência em outras línguas.
A nossa língua portuguesa recebeu, e recebe, vocábulos como resultado das relações políticas, culturais e comercias com outros países. Tal “empréstimo lingüístico” é conhecido como estrangeirismo. O empréstimo advindo da língua inglesa, em particular, é denominado anglicismo, visto por alguns como ameaça às raízes de nossa língua e, por outros, como algo comum de uma língua viva.
Um extremo da contrariedade ao estrangeirismo é o Projeto Lei nº 1676 de 1999, que prevê punição com multa (de R$1.300,00 a R$13.000,00) a quem fizer uso de verbetes de outras línguas.
O autor deixa claro que o projeto é uma forma de denúncia, resistência e defesa da identidade e cultura do Brasil. O Projeto foi aprovado no Senado Federal, em agosto de 2003, após aprovação na Comissão de Educação, Cultura e Desporto e na Comissão de Constituição e Justiça, ambas as Comissões constitutivas da Câmara Federal. Após essa data, foi encaminhado novamente à Câmara para votação e subseqüente promulgação por parte do Presidente da República, entretanto, lá permanece desde então.
A verdade é que deparamo-nos com anglicismos no nosso dia-a-dia (fast food, feedback, on line, drive thru, record, dentre outros) e seria uma difícil tarefa ignorá-los e buscar usar outras formas equivalentes em nossa língua, a não ser por um processo em longo prazo.
Alguns verbetes assumiram a forma aportuguesada na escrita e já foram consagrados em nossa língua, como: Bife (beef), futebol (football), suéter (sweater), estoque (stock), caubói (cowboy), blecaute (blackout).
Alguns outros aportuguesamentos (‘leiaute’, por exemplo) são de doer os ouvidos e, apesar de reconhecidos pelos dicionários Aurélio e Houaiss, são raramente utilizados, optando os escritores usar a forma inglesa, layout.
Resta uma dúvida: ao traduzir o termo layout, por exemplo, é mais apropriado manter-se a grafia original ou grafá-lo em sua forma aportuguesada? Há divergências. Você, como tradutor, o que faria?
Agora assista a esse vídeo que retrata o estrangeirismo com bastante humor. Vale a pena ver.
Aviso aos passageiros
07/12/10
Pense duas vezes antes de acreditar que “quem avisa amigo é”. Não há quem, ao adentrar um elevador, nunca tenha visto uma placa, sempre com o mesmo aviso:
“AVISO AOS PASSAGEIROS
Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.
Lei n° 12.722/98″
Certo dia, numa longa espera por um elevador quebrado, trocava olhares com a tal da “plaquinha”. Ela olhava para mim, eu para ela, e foi nesse namoro que percebi o quanto esse AVISO é de um amigo da onça.
Redação de LEI vista todos os dias por milhares de pessoas que, de tanto “aviso”, se viciaram e hoje maltratam a nossa língua, mesmo inconscientemente. Justificar tal indignação? Simples:
- Mesmo – Segundo nos ensina o mestre Napoleão Mendes de Almeida, o demonstrativo mesmo não tem função de pronome. O correto seria usar o pronome pessoal ele. Prova de que isso virou um vício é quando você liga a alguém (que não está) e a pessoa do outro lado diz “O mesmo não se encontra, quer deixar recado?”. Se for homem, é ELE, se mulher, ELA e ponto.
- Encontra-se – Embora o Houaiss apresente em sua 10a acepção, como verbo pronominal, o sentido de “estar em determinado lugar…”, não vamos abrir mão da clareza (mais que necessária a uma boa redação, principalmente de uma lei). Voltando à frase mencionada acima “o mesmo não se encontra”, não parece que tem uma coisa perdida e que não consegue se encontrar? Por que não dizer, simplesmente “ele(a) não está“?
- Para finalizar o show de incompetência lingüística, usaram o sinal de grau (º) em vez do sinal de número ordinal (o) no número da lei. Esse erro é tão comum quanto ridículo. Na frase “Leve este envelope ao 2º andar”, lê-se “leve este envelope ao 2 graus andar”. Custa passar um traçinho sob a bolinha? Alguns culpam o computador por isso, mas mal sabem que há jeito para tudo. Clique aqui e veja como fazer o sinal corretamente no seu editor de texto.
Quem avisa com esse tipo de aviso, amigo não é, quem compartilha os erros que ele contém, sim. Por isso compartilho estas informações com vocês, mas, ainda sobre o tal “AVISO”, deixo uma pergunta no ar:
Maiores ou mais informações
19/11/10
No meu trabalho como conferente, tenho encontrado erros muito comumente cometidos na linguagem falada e que, por desconhecimento ou mesmo vício, passam despercebidos pelo tradutor, mesmo após sua revisão, na escrita. É por conta disso que uma boa conferência de tradução é fundamental.
Decidi contribuir com este portal publicando, de tempos em tempos, uma série de artigos sobre os erros gramaticais e semânticos mais recorrentes, dando o pontapé inicial com o uso freqüente da expressão ‘maiores informações‘. Quem nunca a ouviu ou leu?
Pois bem, maior, nesse contexto, designa algo que supere outro em grandeza, e não é esse o caso, pois como seria fornecer uma pequena informação?
Forma correta: se as informações que você recebeu não foram suficientes, peça mais informações, sempre.
O pior é que mesmo com a presença do “more” em, por exemplo, “For more information…”, do inglês, o tradutor resiste em usar mais, e comete o sacrilégio de usar “maiores”.
Publicarei “maiores” erros nos próximos artigos.
